Entenda por que as caixas-pretas são fundamentais na investigação da queda de avião em Vinhedo (SP)

Autoridades brasileiras têm expertise na extração de dados e áudios e podem contar, se necessário, com a ajuda de órgãos de investigação do exterior

Recuperadas no início da noite pelo Centro de Prevenção e Investigação de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), as duas caixas-pretas do avião que caiu em Vinhedo (SP) e matou 61 pessoas nesta sexta-feira (9) são fundamentais para a investigação das causas do acidente. 

Isso porque as caixa-pretas abrigam gravadores que, se encontrados intactos, contêm informações importantes. Um avião, a exemplo do ATR-72 que caiu, possui duas caixas-pretas:

  1. Cockpit Voice Recorder (CVR): um gravador de voz que fica dentro da cabine e registra as conversas de piloto e co-piloto entre eles, com os comissários de bordo e com as torres de controle.
  2. Flight data recorde (FDR): um gravador de informações e parâmetros da aeronave, como altitude, velocidade, posição das manetes, botões acionados, entre outros dados técnicos da aeronave ao longo do trajeto. 

Com esses dados da aeronave e os áudios da cabine, os investigadores podem entender a dinâmica e os fatores que podem ter contribuído para a queda do avião. 

Referência nesse tipo de investigação

No caso das caixas pretas encontradas nos escombros em Vinhedo, elas serão levadas à capital federal para verificação se os gravadores estão viáveis. “Estamos prontos para trazer os gravadores para Brasília (DF) para iniciar a extração e obter informações importantes para recontar o acidente”, afirmou o brigadeiro Marcelo Moreno, da Aeronáutica.

“Nós temos a capacidade de fazer a obtenção desses dados, mas, em função da gravidade do evento, o gravador é exposto a uma temperatura tão alta que os equipamentos internos se danificam, impossibilitando a extração. Mas quando isso ocorre, temos acordo de parceria com agências de investigações, da França, Canadá ou dos Estados Unidos”, explicou o brigadeiro.

Entenda nesta reportagem o que são as caixas-pretas, o que acontece depois que elas são encontradas e como elas gravam áudios e dados.

Origem das caixas-pretas

Obrigatórias na maioria dos aviões em aviões, as caixas pretas foram inventadas, segundo a Reuters, ainda em 1950 pelo australiano David Warren. Ela mantém gravadores a fim de identificar as causas de acidentes e, assim, ajudar na prevenção deles. 

As caixas-pretas não são realmente pretas. Elas são pintadas de laranja, uma cor que pode ser vista à distância, debaixo da água e no meio escombros e, desta forma, facilitar nas buscas.

Depois de encontradas, o que acontece?

Após o resgate das caixas-pretas, técnicos retiram o material de proteção e limpam cuidadosamente as conexões para garantir que não se apaguem acidentalmente os dados. 

Depois, o arquivo de áudio e demais dados devem ser baixados para uma plataforma segura onde ficam copiados. Mas ainda é preciso decodificar os arquivos brutos e produzir gráficos que poderão, assim, ser lidos pelos investigadores. 

Há também uma análise cuidadosa de sons e ruídos captados, que podem apontar irregularidades e até mesmo explosões. 

Elas sempre foram desse jeito?

Não. As caixas-pretas atuais guardam as informações em memórias do tipo SSD (Solid-State Memory), um substituto do HD bastante comum em computadores. No entanto, os primeiros dispositivos guardavam – bastante menos informações – em conexões de fios ou chapas metálicas. 

As gravações ficam protegidas dentro de um revestimento capaz de resistir mais de 3,4 mil vezes a força da gravidade durante a queda.

Créditos adicionais: g1 e EPTV Campinas

Mas então por que não revestir todo o avião com esse material?

Porque seria impossível alçar voo. Segundo o Museu Smitshonian do Ar e do Espaço, a maior parte das caixas-pretas são envoltas em aço, um sólido bastante resistente, mas também pesado. 

Fazer um avião inteiro de aço o faria pesar muito mais e seria difícil voar. Os aviões são feitos de alumínio, que é mais leve, e são reforçados em torno de uma estrutura de aço e titânio. 

Qual o tamanho de uma caixa-preta?

Elas não são muito grandes, mas pesam cerca de 4,5 kg e contêm quatro partes principais: 

  1. um chassi ou interface projetada para proteger o dispositivo e facilitar a gravação e reprodução
  2. um farol localizador subaquático
  3. a carcaça do núcleo ou “Unidade de memória de sobrevivência a choques” feita de aço inoxidável ou titânio
  4. e dentro de tudo isso é onde ficam as gravações armazenadas em chips ou outros formatos

Existem dois gravadores: 

  • um gravador de voz do cockpit (CVR) para vozes do piloto e sons do cockpit – esse é o que foi encontrado do voo da Eastern China Airlines.
  • um gravador de dados de voo (FDR) que captura informações sobre parâmetros, incluindo altitude, velocidade do ar, direção e empuxo do motor