Por que símbolo da Festa do Peão de Barretos tem peão montando cavalo ao invés de touro

Monumento chamado Roseta é um dos mais fotografados no Parque do Peão e imagem estampa produtos licenciados como camisetas e copos e até o palco principal do evento.

Um dos símbolos mais importantes da Festa do Peão de Barretos tem o nome de Roseta e muita gente não tem ideia do que isso possa significar. 

Instalado em lugar de destaque, bem em frente ao Parque do Peão, o monumento convida o visitante a entrar e conhecer o fascinante mundo dos rodeios.

Roseta foi criada em 1993, pelos artistas Nivaldo Gomes, Pedro Perozi e Cesario Ceperó. 

O nome remete à parte móvel da espora, que tem forma de uma roda estrelada, e ela foi criada em cima de um símbolo já existente, o de Os Independentes, associação que organiza a festa.

“Nós tínhamos acabado de fazer aquela avenida que passa em frente ao parque [Via das Comitivas]. Tem a entrada principal e a entrada de pedestre, que é onde fica a tal da Roseta. Aí o presidente [Mauri Abud Wonhart] falou assim: ‘naquela entrada de pedestre, eu quero construir alguma coisa para a pessoa pensar aqui é o Parque do Peão’. Ele queria minha opinião do que a gente devia fazer”, conta o arquiteto Nivaldo Gomes, um dos responsáveis pelo projeto.

Diante do pedido do presidente, Nivaldo conta que sugeriu aproveitar o símbolo da associação e construir algo em cima disso. Antigamente, o símbolo era apenas um círculo e um cavalo e tinha as cores vermelha e branca.

“Desde a nossa primeira festa em 1956, temos um círculo chamado Roseta, que era esse símbolo vermelho com o cavalinho. Eu, como arquiteto, tinha que me preocupar com a forma da coisa. Em arquitetura você sempre se preocupa com a forma e o conteúdo. O arquiteto se baseia nisso para fazer um projeto”.

Nas conversas, surgiu a ideia de colocar o peão dentro do mapa do Brasil, mas Nivaldo ousou ir ainda mais além. 

“Falei ‘vamos colocar o peão extrapolando o mapa, ou seja, o peão, a festa do peão, o clube, tudo isso extrapolou aquilo que foi o início da festa. A festa ficou muito famosa, tomou caráter nacional e depois internacional’. E aí eles concordaram também que o peão teria que extrapolar”.

O arquiteto Nivaldo Gomes é um dos responsáveis pela Roseta, marco da Festa do Peão de Barretos — Foto: Igor do Vale/g1

O arquiteto Nivaldo Gomes é um dos responsáveis pela Roseta, marco da Festa do Peão de Barretos — Foto: Igor do Vale/g1 

Com o projeto construído na cabeça, começou a construção. Foram 60 dias até ficar tudo pronto. 

A Roseta tem seis metros de diâmetro e, por estar em um lugar estrategicamente localizado, funciona como um dos pontos turísticos mais importantes de Barretos (SP).

O símbolo é também o mais fotografado, algo que Nivaldo nunca nem imaginava que pudesse acontecer.

“Não chegava a imaginar isso. Eu me emociono, porque, quando fiquei sabendo que era o mais fotografado do parque, mesmo não sendo uma obra-prima, a gente nunca imaginava que ia ser fotografado. Não é só fotografado durante a festa, é o ano inteiro. Toda pessoa que visita o parque. Eu me orgulho muito desse projeto”.

Roseta foi construída em 1993 e o colocada na porta de entrada do Parque do Peão em Barretos, SP — Foto: Arquivo pessoal

Roseta foi construída em 1993 e o colocada na porta de entrada do Parque do Peão em Barretos, SP — Foto: Arquivo pessoal 

Por que um cavalo?

Quem acompanha rodeio sabe que a montaria em touro é a prova mais aguardada. Mas a Roseta traz um peão em cima de um cavalo no destaque. A explicação, no entanto, é bastante simples e vem de 1947.

Nos dois primeiros rodeios de Barretos, realizados pela prefeitura, não havia montaria em touro. Eram os cavalos a grande atração da festa.

Isso porque, segundo Mussa Calil Neto, ex-presidente da Associação Os Independentes, o prefeito à época, Mário Vieira Marcondes, reservava um espaço especial para comitivas que vinham a Barretos trazer bois para vender no frigorífico. 

A ideia era impedir que fizerem arruaça na rua, justamente porque a data que estavam por aqui coincidia com o aniversário da cidade.

Mussa Calil Neto, ex-presidente da Associação Os Independentes — Foto: Ricardo Nasi/g1
Mussa Calil Neto, ex-presidente da Associação Os Independentes — Foto: Ricardo Nasi/g1 

“Antigamente, quando os peões vinham com a boiada de Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás, na hora que entregavam os bois no frigorífico, ficavam com o ‘bucho’ cheio de dinheiro. Então 40 dias na estrada, eles estavam doido pra encontrar com as meninas, fazer programa e beber e, justamente, na época do 25 de agosto, que é aniversário da cidade, o prefeito não queria bagunça”. 

Com um local especial para peões, a prefeitura incentivava a disputa e premiava aqueles que conseguissem permanecer mais tempo em cima de um cavalo chucro (não domado) ou de garrotes (bois de até 2 anos).

“Os peões tinham a prática de montar cavalo, então arrumava-se cavalos chucros ou burro, que não aceitava montaria. Daí eles punham os peões para disputar o prêmio. Tinha garrote também, mas não tinha touro. Touro foi aparecer nas montarias a partir da década de 1970. Até 1960 era só cavalo”, diz Mussa.

Marco do Parque do Peão

Para Mussa, a Roseta é o grande marco de Os Independentes. O símbolo não está apenas na entrada principal, mas em produtos como camisas, chaveiros, copos, adesivos. Este ano, ganhou o palco principal da festa e também é ressaltado em todas as homenagens que a associação faz a seus fundadores e antigos presidentes. 

“É a maior marca que nós temos. Todas as lembranças que a gente vai oferecer para nossos sócios-fundadores, seja fivela ou garrafa de whiskey, está lá a marca. Está em todos os lugares praticamente, em cima do palco tem o símbolo, todos os lugares tem a bandeira, então a roseta, pra nós, é como se fosse a bandeira brasileira. A gente reverencia e tem amor especial por ela”.